Avaliação do Ciclo de Vida na ISO 14001

Imagem Post 4 ACV na ISO14001

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é a mensuração dos possíveis impactos ambientais que ocorrem em todas as etapas de um processo produtivo.
Conhecida como análise dos processos do “berço ao túmulo”, a ACV é agora também exigida para empresas que desejam obter ou renovar a certificação de Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001.
Os estágios típicos do ciclo de vida de um produto (ou serviço) incluem aquisição de matéria-prima, projeto, produção, transporte/entrega, uso, tratamento pós-uso e disposição final e, quando cabível, reciclagem e reuso.
Analisando todas as entradas e saídas de matérias e insumos, energia e fluxo de atividades, é possível ter uma visão macro dos reais impactos ambientais associados a tal produto ou serviço.

Abordagem na norma ISO
A ISO 14001 não define de forma clara quais produtos ou serviços devem ser avaliados no escopo do Ciclo de Vida. Porém, indica a necessidade das organizações em identificar os aspectos e impactos ambientais além das fronteiras da fábrica, ou seja, de acordo com a perspectiva de ciclo de vida.
Como exemplo de aplicação da ACV, podemos mensurar a Pegada Hídrica e a Pegada de Carbono de um determinado produto. Isso significa calcular o consumo de água ou as emissões de carbono em todas as etapas da cadeia produtiva. O cálculo deve ser elaborado por meio de estimativas com base em referências bibliográficas.
As normas ISO mais atuais específicas para ACV são a ISO 14040 – Princípios gerais, ISO 14044 – Requerimentos e diretrizes e ISO 14046 Pegada Hídrica.

Etapas da Avaliação do Ciclo de Vida
  1. Definição de Escopo: O primeiro passo é definir quais serão os limites da avaliação. Os estágios do   ciclo de vida que são aplicáveis irão variar dependendo da atividade, produto ou serviço.
  2. Identificação dos aspectos e impactos: após a definição dos limites, são mapeados todos os processos da cadeia de valor e paralelamente, identificam-se os aspectos ambientais mais relevantes, e com maior potencial de gerar impacto.
  3. Coleta de dados: consiste na coleta de dados que representam os fluxos de massa e energia dentro das fronteiras estabelecidas na fase anterior.
  4. Mensuração dos Impactos: nesta etapa os fluxos são quantificados em termos de impactos ambientais relativos, como por exemplo, consumo de água para a categoria de impactos sobre os recursos hídricos ou kg de CO2 equivalentes para a categoria de mudanças climáticas.
  5. Interpretação dos Resultados: avaliam-se os resultados, definindo as conclusões e ações necessárias para a mitigação dos impactos.
Importância
Um produto ou serviço sustentável deve minimizar impactos em todas as etapas da cadeia produtiva e não somente dentro das fronteiras da fábrica.
Muitas vezes o ponto de aplicação mais eficaz de melhorias ambientais localiza-se antes (upstream) ou depois (downstream) da etapa de manufatura, identificando possíveis mudanças que, antes da ACV, não eram percebidas, como por exemplo:
– Escolha do material de fabricação, já pensando na facilidade de descarte, reciclagem ou reutilização do mesmo;
– Concepção de produtos retornáveis, viabilizando a logística reversa;
– Disseminação de boas práticas em sustentabilidade para toda a cadeia produtiva por meio da elaboração de manuais de fornecedores e formas de avaliar suas ações.

 


Claudio Bicudo Mendonça é Gestor Ambiental e Diretor Executivo na H2O Company, empresa focada em Inteligência e Estratégias em Sustentabilidade.

Victor Sá Oliveira é Engenheiro Ambiental pela USP e Consultor em Sustentabilidade na H2O Company, empresa focada em Inteligência e Estratégias em Sustentabilidade.

Açaí Juçara – O Desenvolvimento Sustentável acontece na Mata Atlântica

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O Projeto Juçara foi desenvolvido pelo IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), com recursos da Petrobrás através do Programa Petrobrás Ambiental.

Em sua primeira etapa do projeto, em 2010, o objetivo foi capacitar comunidades caiçaras tradicionais da região de Ubatuba (no litoral norte do Estado de São Paulo) a produzirem o Juçara com o objetivo de colher seu açaí. Na segunda fase, em 2015, o projeto se fundamentou na divulgação e expansão da utilização dos frutos da palmeira juçara na culinária.

O Juçara (Euterpe Edulis) é uma palmeira nativa da Mata Atlântica. Essa espécie chegou quase à extinção por conta da exploração predatória de seu palmito. O problema é que para coletar o palmito é necessário cortar a palmeira e esta não volta a se regenerar.

Com o advindo do Açaí da Amazônia, que nos últimos anos ganhou o Brasil e o mundo por suas propriedades nutricionais e energéticas, surgiu a ideia de utilizar a fruta de seu primo da Mata Atlântica, o Juçara. A polpa do Juçara é uma novidade entre as comunidades caiçaras, pois historicamente, não se conhecia a técnica de retirar e aproveitar sua polpa. O resultado é uma polpa naturalmente doce, diferentemente do Açaí­ da Amazônia que é amargo por natureza. Assim, não é necessário adicionar açúcar na polpa do Juçara, mantendo o alimento saudável.

A produção da fruta do Juçara tem enorme potencial de mercado e vem crescendo rapidamente.

Em minha última viagem a Ubatuba, fui atrás da iguaria, mas poucas pessoas conheciam o Açaí Juçara. Até que uma cozinheira do hotel onde me hospedei comentou que sua tia era produtora do Juçara na Praia da Fazenda. Então, fui até lá conhecer e encontrei vários produtores na região da Praia da Fazenda e Ubatumirim. Em uma venda do bairro pude experimentar o suco natural do Açaí Juçara. Uma delícia! Acabei comprando alguns quilos da polpa congelada para trazer a São Paulo.

Recentemente, na feira de Gastronomia Orgânica do Parque Vila Lobos, em São Paulo, encontrei um produtor da COOPAFASB (Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras) que estava vendendo a polpa do Juçara congelada. No início vendia a R$5,00 cada 250ml, porém, quando iniciou a degustação, todos queriam comprar e logo o preço subiu para R$10,00 cada 250ml. Este produtor era do Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, região onde localiza-se uma das maiores reservas de Mata Atlântica do Brasil.

Este é um modelo de valorização da biodiversidade, da floresta e das comunidades tradicionais. Além disso, é um modelo de desenvolvimento econômico e sustentável. Não tenho dúvidas de que em pouco tempo o Açaí­ Juçara ganhará o gosto do brasileiro e do mundo, assim como aconteceu com o Açaí da Amazônia.

Justo na semana do Meio Ambiente, recebemos a notícia de que o desmatamento da Mata Atlântica aumentou 57,7% entre 2015 e 2016, principalmente na região sul da Bahia. Portanto, é hora de impulsionar práticas de produção sustentável para conciliar o desenvolvimento econômico, social e a preservação da maravilhosa Mata Atlântica. Vamos comer Açaí Juçara!

 

Encomendas da polpa do Juçara:

www.coopafasb.com.br

E-mail: vendas@coopafasb.com.br

Mais informações:

http://www.projetojucara.org.br/


Claudio Bicudo Mendonça é Gestor Ambiental e Diretor Executivo na empresa de consultoria H2O Company, focada na Gestão Corporativa Estratégica para a Sustentabilidade.

5 Dicas de Ecoeficiência

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Antes de apresentar as 5 dicas eu pergunto: Você sabe o que é Ecoeficiência?

A figura acima faz uma alusão ao termo inglês “thinking out of the box”, que significa “pensar fora da caixinha”. O termo tem muita relação com a ecoeficiência, pois para ser ecoeficiente, você precisa pensar além dos limites organizacionais.

Na ecoeficiência, “Thinking out of the box” significa conhecer impactos diretos e indiretos de produtos e serviços e agir para neutralizar estes impactos.

Promover a ecoeficiência é promover o bem-estar do ser humano. Preservar o meio ambiente não é bom somente para o meio ambiente, mas sim para a sociedade como um todo.

O termo definido pelo WBCSD – World Business Council for Sustainable Devepment (Conselho empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável) ressalta a relação da ecoeficiência com a qualidade de vida, conforme descrito a seguir:

Ecoeficiência:

“Entrega de bens e serviços que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, reduzindo progressivamente impactos ambientais dos bens e serviços, através de todo o ciclo de vida, em linha com a capacidade estimada da Terra em suportar” (WBCSD, 1992).

Ser ecoeficiente significa se beneficiar das melhores e mais modernas tecnologias que tragam qualidade de vida com menor impacto ambiental.

Ser ecoeficiente é utilizar água e energia de forma eficiente e gerar menos resíduos, sem que sua rotina de atividades seja prejudicada.

Dependemos sim de políticas públicas, educação e investimentos, mas devemos lembrar que a ação começa em casa, ou seja, ter uma atitude ecoeficiente pode representar muito como um exemplo e uma perspectiva de mudança.

Pensar fora da caixa, significa atuar no que é de sua responsabilidade e influenciar seus stakeholders (fornecedores, parceiros e públicos de interesse) a serem Ecoeficientes também.

Veja algumas dicas de Ecoeficiência da H2O Company que pode ser aplicada em casa ou no trabalho:

  1. Você pode chamar um Táxi Híbrido

Tecnologia de carros com um motor elétrico e outro a combustão. Quando o carro está em baixa velocidade é o motor elétrico quem atua, sem emitir qualquer poluente. Depois de uma certa velocidade o motor a combustão é acionado e carrega a bateria do motor elétrico.

Esta tecnologia permite que os carros façam uma média de 22 km com 1 litro de gasolina. No Brasil o veículo híbrido mais em conta é o Toyota Prius, que custa cerca de R$ 100 mil. Em São Paulo, veículos híbridos ou elétricos possuem 50% de desconto no IPVA e isenção de rodízio.

Apesar do alto custo, você não precisa comprar um carro destes para começar a ser ecoeficiente, mas pode priorizar carros híbridos quando for pegar um táxi, por exemplo. É uma forma simples de começar a ser mais ecoeficiente.

Na H2O Company priorizamos táxis híbridos nos deslocamentos da equipe. Desta forma, reduzimos nossas emissões indiretas de CO2.

 

  1. Carros e bicicletas elétricas

Diferentemente dos híbridos os carros elétricos precisam ser carregados em tomadas. Esta realidade é cada vez mais presente na Europa e nos EUA. A Holanda, por exemplo, pretende ter apenas carros elétricos fabricados no país nos próximos 10 anos.

A empresa americana Tesla, já iniciou as operações de uma gigafábrica nos EUA para fabricar apenas carros elétricos e baterias. Seu valor de mercado já ultrapassou a GM. É muito forte a tendência do uso de veículos elétricos no mundo todo.

No Brasil, os carros elétricos ainda estão em fase de teste, mas serão uma realidade dentro de 5 ou 10 anos.

Apesar de ainda não termos carros elétricos, as bicicletas elétricas já são um sucesso em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. É uma forma eficiente de ir ao trabalho, sem precisar ter o incômodo do suor, já que o motor silencioso que fica na roda da bicicleta ajuda nas subidas, evitando o esforço de uma bicicleta tradicional.

 

  1. Utilize Bike Courier

Você não precisa pedalar e fazer grandes esforços para incentivar o uso de bicicleta nas cidades. Mas você pode optar por fazer entregas de malotes e produtos de bicicleta, ao invés de contratar um motoboy. O custo é praticamente o mesmo, mas a melhora no trânsito, a redução do número de acidentes, a redução da poluição e do barulho são benefícios enormes que a sociedade recebe.

Os bikers couries não param de passar nas avenidas Paulista e Faria Lima, em São Paulo. Esta é uma forma criativa e limpa de incentivar a ecoeficiência, sem que nossa rotina seja alterada.

 

  1. Separe e lave os resíduos recicláveis

A melhor forma de incentivar a reciclagem é separando e principalmente limpando os resíduos recicláveis antes de serem descartados. Não precisa lavar com água e sabão, mas passar uma água para tirar o resto de alimento das embalagens. Você pode reaproveitar a água da pia, que já foi utilizada para lavar pratos e copos.

Em São Paulo, a coleta seletiva já é uma realidade em praticamente todos os bairros. Mas se o lixo estiver sujo, este será descartado quando chegar em uma cooperativa de catadores. Nas cooperativas os resíduos sujos são classificados como “contaminados” e são encaminhados para o aterro e não para a reciclagem.

Portanto, se você não limpar, não adianta separar. E ainda seu resíduo sujo pode contaminar outros que estavam limpos.

Outra forma de incentivar a reciclagem é optar por embalagens e produtos reciclados. Utilizar papel reciclado no escritório é uma excelente atitude de ecoeficiência. Você evita que papel vá para o aterro e valoriza a indústria da reciclagem.

Também, você evita que árvores sejam derrubadas para fazer o papel virgem e com isso você economiza muita água, já que 99% do consumo de água na fabricação do papel está na etapa de plantio e crescimento das árvores que produzem celulose.

 

  1. Aproveite água de chuva

Nas áreas urbanas o maior benefício do aproveitamento de água de chuva é o fato de evitar enchentes. Em chuvas fortes, a água que fica retida nas cisternas deixam de inundar córregos e rios. Se cada um tiver uma cisterna em casa, a soma delas acumulará muito mais água do que os piscinões que são obras milionárias para evitar enchentes.

A água de chuva pode ser utilizada para regar plantas, lavar o quintal, dar descarga e até lavar roupas. Algumas etapas simples de filtração e bombeamento precisam ser feitas. Portanto, ao construir ou reformar, contrate uma empresa especializada para executar este serviço. Quanto mais água de chuva você utilizar, mais economia financeira terá.

Além disso, você alivia os reservatórios de abastecimento público, que estão sempre em risco em períodos de escassez.

 


Claudio Bicudo Mendonça – Gestor Ambiental e Diretor Executivo da Consultoria H2O Company, focada na Gestão Corporativa Estratégica para a Sustentabilidade

E agora que o El Niño acabou?

Em algumas áreas de São Paulo e diversas regiões do sudeste e centro-oeste, abril foi o mês mais seco já registrado. Não se trata da maior seca dos últimos 20 ou 30 anos, mas sim da maior seca desde os primeiros registros do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) em 1961 para o mês de abril. A Capital registrou 52 dias consecutivos sem chuvas entre Abril e início de Maio.

Isto ocorre justamente 2 anos após o início de outro recorde histórico: o maior período com chuvas abaixo da média que a população da região sudeste já viu.

Com início em Julho de 2013, a região do reservatório Cantareira em São Paulo, passou 1 ano e meio registrando chuvas abaixo, ou muito abaixo da média histórica, como demonstrado no gráfico abaixo.

 

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Agora nos resta saber se estamos iniciando um período tão longo de seca como aquele que culminou na crise hídrica de 2015.

Meteorologistas afirmam que as chuvas do último verão, que voltaram a cair normalmente na maior parte do Brasil, foi resultado do fenômeno El Niño, que ocorre pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Porém, previa-se que o El Niño traria chuvas acima da média, mas na verdade, as precipitações ocorram dentro do que seria a normalidade para um ano sem o El Niño.

E agora que o El Niño acabou? Se era ele quem estava trazendo chuvas, podemos esperar que os próximos meses não serão tão promissores, visto o que já passamos em abril.

Mudanças Climáticas:

Estamos passando por um período de Mudanças Climáticas, e isso, ninguém discute. Se isso é efeito antrópico ou não, tanto faz para quem precisa se adaptar o mais rápido possível.

A Gestão Estratégica da Água deve ocorrer em indústrias e também no setor agrícola como forma de adaptação às mudanças climáticas.

Todos sabem que o reuso de água, captação de água de chuva, saneamento básico são importantes para uma boa Gestão da Água. Está na hora destas iniciativas saírem do papel, mesmo porque os custos de uma crise hídrica, são muito maiores do que os custos de adaptação.

 


 

Claudio Bicudo Mendonça – Gestor Ambiental e Diretor Executivo da Consultoria H2O Company, focada na Gestão Corporativa Estratégica para a Sustentabilidade